quarta-feira, 16 de junho de 2021

Há 40 anos, 1 milhão de Bíblias chegavam na China

Descubra como aconteceu o Projeto Pérola, apesar de o governo comunista proibir a posse da escritura sagrada na China


 * * * Extraído do Portal CpadNews * * *

Em plena Revolução Cultural na China, o Irmão André e outros parceiros da Portas Abertas ouviram inúmeros relatos e estatísticas sobre os cristãos que resistiam à forte perseguição do governo. Então, em viagem ao país foram surpreendidos: “Em vez de um grupo pequeno, desanimado e derrotado de cristãos, encontramos uma imensa rede de milhões de cristãos - fortes, fundamentados em princípios, ousados, corajosos e, sim, perseguidos”, conta o fundador da Portas Abertas no livro “O Contrabandista de Deus desafiando os limites da fé”.

Uma delas era conhecida como Mãe Kwang, uma evangelista que já tinha passado três vezes pela cadeia, mas continuava a percorrer o sul do país pregando, ensinando e organizando igrejas domésticas. A princípio, ela pediu 30 mil Bíblias para entregar aos cristãos que conhecia. Mas havia muitos outros pelo país, por isso a cristã ousou sonhar mais alto e pediu um milhão de Bíblias.

O que foi o Projeto Pérola?

O Projeto Perola foi uma ação da Portas Abertas que aconteceu em 18 de junho de 1981. Nesse dia, um milhão de Bíblias foram entregues em Shantou para os cristãos locais, sob a promessa que fariam a palavra de Deus chegar a todos os cantos do país.

A operação levou esse nome porque as Escrituras são como “uma pérola de grande valor” à qual se referiu Jesus na parábola em Mateus 13.45-46. E como o mercador, os cristãos chineses estavam dispostos a arriscar tudo pela “pérola” que é a palavra de Deus.

Os exemplares foram contrabandeados por meio de uma embarcação chamada Gabriella e chegavam à região pelos barcos de pesca. Naquela noite de 1981, um barco rebocador de 30 metros puxou uma barcaça carregada com 232 pacotes à prova d’água — eram ao todo um milhão de Bíblias em chinês, uma carga de uma tonelada. Os pacotes flutuantes que continham as Escrituras foram rebocados para a praia por pequenos barcos de borracha. A operação, idealizada pelo Irmão André, mudou a vida de muitos cristãos na China.

Quem foram os cristãos envolvidos no Projeto Pérola?

Apesar da ação do contrabando de Bíblias ter envolvido muitos trabalhadores das bases da Portas Abertas, apenas 20 pessoas fizeram parte da tripulação. Eram cristãos dos seguintes países: Filipinas, Austrália, Nova Zelândia, Holanda, Inglaterra, Canadá e Estados Unidos. Um deles foi Terry Madison, que diz: “Antes da viagem, meu trabalho era escrever todo o material para arrecadar os milhões de dólares que precisávamos para a missão – sem poder dizer o que estávamos fazendo! Isso foi um desafio. Como você pode levantar milhões de dólares e esperar que as pessoas enviem presentes sem dizer a elas o que você vai fazer? Mas nossos apoiadores contribuíram e ainda enviaram presentes para que isso acontecesse”. Segundo o cristão, participar dessa grande aventura foi um privilégio e era um segredo que precisava ser guardado, por causa das questões de segurança.


Terry é o que está ajoelhado na frente, de barba, junto com outros cristãos que participaram da ação

“À medida que nos aproximamos cada vez mais, percebemos que isso era realmente sério, poderíamos morrer ou ser presos ou perdidos no mar. Tenho certeza que todos nós tínhamos nossos medos e dúvidas sobre o que aconteceria quando chegássemos lá. Mas nenhum estava em dúvida sobre o fato de que deveríamos estar lá”, revela. Todos queriam fazer parte daquele plano de Deus e contribuir para que as Bíblias chegassem ao destino.

Um chamado inesperado

Terry virou o cozinheiro da tripulação, mas esse nem sempre foi o plano dele. Um dia antes da viagem começar, pediram para que ele fosse com o cozinheiro comprar mantimentos. Todos a bordo recebiam um telefonema semanal dos familiares e, naquela semana, o cozinheiro ligou para a esposa e ela disse que ele tinha que voltar para casa.

“Eu tive a incrível sensação de que o Senhor estava me dizendo que eu deveria me voluntariar para esta posição. Odeio cozinhar, não cozinho, não sei cozinhar! E então eu tinha essa batalha em meu coração. Descarregamos as compras, e o cozinheiro disse ao capitão que tinha que ir para casa no dia seguinte, e eu tive minha pequena luta com o Senhor”, compartilha Terry.

Diante do capitão, Terry disse: “Vim me voluntariar. Eu entendo que você vai precisar de um cozinheiro. Tenho boas e más notícias. A boa notícia é que sou voluntário. A má notícia é que não faço ideia do que fazer”. A esposa do cristão estava a bordo por algumas horas e o ajudou no novo papel de cozinheiro. Ela disse: “Vou escrever menus para três refeições por dia durante uma semana”. E assim, ela tirou um grande bloco de notas amarelo e escreveu 21 receitas para um menu.

Como aconteceu a entrega das Bíblias no dia 18 de junho de 1981?

Naquela noite, a escuridão era completa e o mar estava calmo, ideal para o desembarque dos 232 fardos de Bíblias. Eles foram jogados ao mar e três barcos menores puxaram rumo à praia.

“Minha lembrança favorita da viagem foi a noite da entrega. Os cristãos chineses nadavam até a água chegar na altura do peito, e eu desamarrava a corda que estava presa ao nosso pequeno barco, e entregava as cordas que puxavam os pacotes para eles. Adoraríamos estar na praia para realmente abraçá-los ou falar com eles, mas o toque pessoal e ser capaz de vê-los face a face e ver a emoção que eles tinham por esse enorme volume de Bíblias que estava chegando era simplesmente um prazer”, compartilha Terry.

Terry se sente abençoado por Deus por ter feito parte da “infusão da palavra de Deus na China”. “O Projeto Pérola me ensinou sobre a profunda paixão que os cristãos perseguidos têm pela palavra de Deus, e a fidelidade de Deus para levá-la às pessoas por qualquer meio possível. E o fato de ele ter nos usado foi seu dom para ver sua fidelidade de tantas maneiras”.

O cristão lembra das dezenas de riscos que correram caso fossem descobertos ou traídos, ou tivessem acidentes. “O Senhor estava supervisionando os bastidores e apesar de alguns dos momentos realmente difíceis que tivemos em certos pontos, o Senhor estava lá para tudo”, diz o cristão.

Na ocasião, todos perceberam o quanto Deus é fiel, principalmente quando isso se refere à distribuição de Bíblias. Nessas horas não há algo difícil ou impossível. “Deus tinha esse coração para a China, e ele estava determinado a colocar essas Bíblias nas mãos de mais de um milhão de pessoas. E ele nos permitiu fazer isso. Nós aparecemos e contribuímos com nossas pequenas partes, mas Deus fez isso acontecer”, reconhece Terry.

“Para nós, pessoalmente, foi algo que edificou muito nossa fé. Pensamos: ‘Se conseguirmos fazer isso, qualquer outra coisa será pouco!’. Eu experimentei um nível mais alto de fidelidade e confiança do que eu tinha antes. Ter feito parte desse projeto é mudar para sempre a maneira como você pensa sobre a provisão de Deus e o poder de trabalho milagroso e como ele cuida dos detalhes quando você nem sabia que eles eram uma necessidade”, finaliza Terry.

Amanhã contaremos a história dos cristãos chineses que receberam um milhão de Bíblias no Projeto Pérola. Fique ligado em nossos canais digitais e seja abençoado pelos testemunhos de nossos irmãos e irmãs na China.

Leve Bíblias para cristãos chineses

A realização do Projeto Pérola só foi possível porque cristãos em muitos países se mobilizaram para levar a palavra de Deus aos cristãos chineses. Você também pode fazer parte dessa aventura e nos ajudar nesse contrabando em prol do Reino. Com sua doação, você se torna um parceiro da Portas Abertas, passa a receber em sua casa os exemplares da Revista Portas Abertas e abençoa irmãos e irmãs em todo o mundo. 




Tags: Bíblia, Cpadnews, China, Evangelismo, Evangelho, Evangelização, Jesus Cristo, Notícias, Obra de Deus, Palavra de Deus, Portas Abertas

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Pastor e rabino trabalham para acabar com a perseguição aos cristãos na África


 

* * * Extraído do portal CpadNews * * *

O pastor Johnnie Moore está trabalhando ao lado do rabino Abraham Cooper em favor dos cristãos perseguidos na Nigéria

Enquanto muçulmanos radicais estão perseguindo milhares de cristãos na Nigéria, grande parte do mundo ocidental sabe pouco sobre essa realidade. Mas o Rev. Johnnie Moore e o Rabino Abraham Cooper esperam mudar isso. 

Moore e Cooper, dois defensores dos direitos humanos mundialmente reconhecidos, são os co-autores do livro “The Next Jihad: Stop the Christian Genocide in Africa” (“A Próxima Jihad: Pare o Genocídio Cristão na África”, em tradução livre), resolveram se unir para aliviar o sofrimento de cristãos que são mortos pelo jihadismo islâmico.

O rabino e o pastor se juntam ao programa para explicar o que está acontecendo com os cristãos na Nigéria e por que eles escolheram se reunir para lançar luz sobre uma situação que a mídia em grande parte não está cobrindo. 

“É um tipo de sofrimento que vem acontecendo nas sombras e o mundo precisa despertar para isso”, disse o pastor Moore ao The Daily Signal Podcast. “O governo nigeriano, uma democracia, uma aliada dos Estados Unidos, não está cuidando de seu povo, e estamos dizendo: Basta! A Nigéria precisa agir agora!”

O pastor e o rabino foram à Nigéria em fevereiro de 2019, antes do mundo vivenciar o lockdown por causa da pandemia de Covid-19. Juntos, mesmo um sendo cristão e outro sendo judeu, eles ouviram pessoalmente os relatos das vítimas de perseguição religiosa.

“Eu disse ao reverendo Moore: ‘Johnnie, temos que ir para a Nigéria’. Não é o lugar mais fácil de ir, mas sentimos que precisava acontecer uma transformação de manchetes ocasionais para dar um rosto humano ao sofrimento”, disse Cooper.

O rabino vincula a negligência da mídia com os casos a uma verdade defendida por Josef Stalin durante a Guerra Fria, nos tempos do Holocausto: “Uma morte é uma tragédia, um milhão de mortes é uma estatística”.

“Por isso, colocar um rosto humano em um problema é o principal motivo pelo qual fomos lá”, explica Cooper. “Fizemos um compromisso com eles de que seriam ouvidos e vistos”.

Cooper também acredita que Deus espera que as pessoas de fé estejam envolvidas diante do sofrimento de seus irmãos. “Como pessoas de fé, sentimos e esperamos uma obrigação moral mais profunda para agir, e não só de considerar isso em termos geopolíticos”.

O rabino disse ainda que decidiu se unir ao pastor Moore porque viu nele não só um “homem de fé”, mas também uma “pessoa de ação”. “Eu acredito que colocar as questões teológicas — elas não são inconsequentes — mas colocando isso de lado, Deus quer que façamos o bem. Encontramos parceiros para fazer o bem e podemos descobrir uma maneira de trabalhar juntos”, afirma.

 

Fonte: Guiame/ Com informações do Daily Signal - Foto: Luis Tato/AFP/Getty Images.
22/01/2021

 

Tags: CpadNews, Deus, Evangelho, Fome, Jesus Cristo, Missões, Nigéria, Perseguição a Cristãos

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Líder cristão é morto em Burkina Faso

 


* * * Extraído do Portal CpadNews * * *

Ele havia desaparecido há dois dias e ontem o corpo foi encontrado

 

Na noite de 21 de janeiro, o corpo do líder cristão Rodrigue Sanon foi encontrado na floresta Toumousseni, região de Burkina Faso que faz fronteira com a Costa do Marfim. Sanon servia em Soubakanyedougou e desapareceu enquanto viajava para uma reunião em Banfora, no dia 19 de janeiro. 

De acordo com o portal de notícias Rádio França Internacional (RFI), o cristão nunca chegou ao destino final. O carro de Sanon foi encontrado intacto e vazio em um cruzamento a caminho de Banfora. Acredita-se que ele tenha sido levado por um dos grupos extremistas islâmicos que vivem em Burkina Faso, mas isso não foi confirmado. Outros três cristãos também desapareceram nas proximidades de Banfora na semana passada e ainda não foram encontrados.

Histórico de crimes contra líderes da igreja

Burkina Faso ocupa o 32º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2021, onde os seguidores de Cristo são pressionados para abandonar a fé por meio de ataques violentos. Familiares, amigos, governo e grupos extremistas são os principais responsáveis pela perseguição aos cristãos.

Desde 2019, o número de crimes contra líderes da igreja no país aumentou, trazendo maior vulnerabilidade e insegurança para os seguidores de Jesus. O líder Antonio Cesar Fernandes de Dom Bosco foi assassinado em Nohao, região que faz fronteira com Gana. No dia 29 de março de 2019, o pastor Joel Youbaré de Djibo desapareceu a caminho de casa, após um culto. Em 12 de maio de 2019, Dom Simeon Yampa e outros cinco fiéis foram mortos em um ataque à igreja de Dablo. Além disso, quatro seguidores de Jesus que participavam de uma reunião foram mortos em 13 de maio de 2020. 

Pedidos de oração

- Interceda pela família de Sanon, para que Deus dê força e paz nesse momento de luto.

- Ore para que Deus fortaleça a igreja em Burkina Faso e que continue a testemunhar o amor de Deus mesmo diante do cenário de perseguição.

- Clame pelos grupos extremistas do país, para que Deus os visite e transforme as vidas, de maneira que possam testemunhar as boas obras do Senhor.

 

Fonte: Portas Abertas.
22/01/2021

 

 

Tags: Apocalipse, Burkina Faso, CpadNews, Deus, Evangelho, Fim dos Tempos, Jesus Cristo, Missões, Mundo, Perseguição a Cristãos, Terrorismo

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Pastor tradutor da Bíblia foi torturado antes de morrer a tiros na Indonésia


 

* * * Extraído do Portal Cpadnews * * *

O pastor de 67 anos foi encontrado com ferimentos a bala e com um dos braços praticamente decepado, em Papua, na Indonésia

Fonte: Guiame/ Com informações do Christian Post - Foto: UCA News | 05/11/2020 - 11:40

 

Um pastor cristão e tradutor da Bíblia assassinado na região mais oriental da Indonésia, em Papua, também foi torturado pelo oficial militar que o matou a tiros, conforme revelou um novo relatório investigativo. As informações são da CNN Indonésia.

Na última segunda-feira (2), a comissão de direitos humanos da Indonésia (Komnas HAM) disse que uma equipe de investigação acreditava que, no final de setembro, os militares torturaram Yeremia Zanambani, o pastor da Igreja do Tabernáculo do Evangelho da Indonésia (GKII), tentando obter informações sobre armas roubadas de militares roubados, informou a CNN Indonésia.

O pastor de 67 anos, conhecido por traduzir a Bíblia para o dialeto moni de Papua, foi mais tarde encontrado por sua esposa, deitado de bruços em um cercado para porcos, com ferimentos a bala e seu braço esquerdo quase decepado.

O relatório descreveu o assassinato em 19 de setembro como “extrajudicial” e revelou que ferimentos causados ??por uma arma pontiaguda também foram encontrados no pastor falecido.

“[As descobertas] são baseadas no relato da vítima, dado a pelo menos duas testemunhas antes de morrer, de que viu o soldado na cena do crime junto com três ou quatro outros soldados”, disse Mohammad Choirul Anam, comissário da Komnas HAM, de acordo com UCA News.

“A morte do reverendo Yeremia Zanambani foi causada por uma série de atos que levaram a um assassinato extrajudicial”, disse Anam, acrescentando que o pastor morreu devido à perda de sangue.

O incidente ocorreu em meio à crescente tensão entre militares e grupos separatistas em Papua, a província mais pobre do país. A região tem sido atormentada por distúrbios desde a aprovação de um referendo apoiado pelas Nações Unidas em 1969, denominado Ato de Livre Escolha, que formalizou o controle da Indonésia sobre a ex-colônia holandesa.

Na época, os militares indonésios e os separatistas da Papua culpavam uns aos outros pela morte de Zanambani, que ocorreu logo após o assassinato de um soldado na área.

Reação

O assassinato do pastor Zanambani gerou indignação entre os cristãos locais, com a Comunhão de Igrejas da Indonésia pedindo ao presidente do país, Joko Widodo, uma investigação completa sobre o caso.

No relatório divulgado na segunda-feira, a comissão de direitos humanos da Indonésia disse ter recomendado a Widodo e ao ministro da segurança que, além de encontrar os responsáveis ??pela morte do pastor, as testemunhas deveriam ser protegidas. O órgão também enfatizou que esforços devem ser feitos para garantir uma abordagem menos orientada para a segurança no policiamento da área.

“Civis se tornam vítimas após serem suspeitos de ingressar em grupos separatistas pelo TNI (Exército Indonésio) ou pela polícia”, disse Beka Ulung Hapsara, comissária da Komnas HAM, à Reuters.

O porta-voz militar, coronel Gusti Nyoman Suriastawa, também disse que uma investigação está em andamento e que punirá qualquer policial se for considerado culpado.

O reverendo Jacklevyn Frits Manuputty, secretário-geral da Comunhão das Igrejas na Indonésia, disse ao UCA News que as conclusões da comissão de direitos humanos da Indonésia apoiam a linha de investigação da equipe de apuração de fatos.

“Devemos continuar a pressionar o governo para resolver este caso, pois pode abrir caminho para outras investigações em casos não resolvidos na região. É uma chance para o governo reconquistar a confiança do povo da Papua ”, disse ele.

De acordo com o Asia News, a morte do pastor Zanambani fez com que cerca de 1.100 residentes de Hitadipa fugissem para as florestas.

Mais de 80% da população de Papua se identifica como cristã, contrastando com a Indonésia predominantemente muçulmana. A Missão Portas Abertas (EUA) classifica a Indonésia entre os 50 países onde é mais difícil ser cristão.

 

Tags: Cpadnews, Cristianismo, Evangelho, Fim dos tempos, Jesus Cristo, Missões Mundiais, Mundo

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Pastor chama fiéis de igreja do Paraná de 'moreninhos, encardidos e sujos' em live, e fala repercute na internet



* * * Extraído do Portal G1 * * *

Rodrigo dos Santos disse frase durante uma live com a esposa e, em seguida, o casal apagou a conta na rede social. Entidades de Toledo informaram que o processarão por racismo.


Por Mari Kateivas, G1 PR e RPC Cascavel
 

O pastor Rodrigo dos Santos disse que fiéis da Igreja Batista do Calvário, de Toledo, no oeste do Paraná, eram "moreninhos, encardidos e sujos". A frase foi dita durante uma live em uma rede social, feita com a esposa dele, enquanto contava como se conheceram.
Na ocasião, Santos contou que a mulher dele, que é loira, se destacou entre os demais fiéis da igreja que frequentavam anos atrás. A fala do pastor gerou repercussão nas redes sociais. Veja acima.

De acordo com a fundadora da Embaixada Solidária de Toledo, Edna Nunes, representantes da Associação dos Jovens Haitianos (Ajohavito), do Grupo Senzala de Capoeira e do Instituto Quilombo Tekoah estiveram em contato, nesta quarta-feira (17), e decidiram abrir um processo contra Rodrigo pela denúncia de racismo.
O boletim de ocorrência sobre o caso será feito na quinta-feira (18), segundo a Edna.

"O preconceito que sentimos na fala desse moço é o que a gente vê de forma velada todos os dias. Mas na sociedade, na escola, nas igrejas, o preconceito se mostra como um crime perfeito, pois as pessoas falam isso de forma mascarada no dia a dia."

O pastor da Igreja Batista do Calvário de Toledo, José Marcelo dos Santos, disse que a instituição não tem a ver com a publicação de Rodrigo, pois ele não frequenta a comunidade há oito anos. Além disso, de que a igreja não compartilha de atitudes preconceituosas e racistas.

Pedido de desculpas

A live foi realizada na sexta-feira (12) e, em seguida, o casal apagou as contas na rede social. Nesta quarta-feira, Santos postou, em outra rede, um vídeo com um pedido de desculpas sobre o ocorrido. Atualmente, o pastor mora na Suíça.

"Não era a minha intenção de forma alguma magoar alguém, ofender alguém e, de forma alguma, ser racista, mas agi com palavras infantis e estou aqui para reconhecer, e repugnar todas as minhas palavras, aquela minha atitude grosseira. Quero pedir perdão para todas as pessoas que eu tenha ofendido, em especial, a comunidade negra, que tem se ofendido com as palavras. Queria pedir o perdão de cada um de vocês", disse.

O G1 entrou em contato com Rodrigo, mas ele preferiu se pronunciar apenas pelo vídeo publicado. Informou ainda que não é pastor da Igreja Batista do Calvário.
De acordo com a Edna, os grupos de Toledo buscam apoio de outras entidades para a abertura do processo coletivo.

"O racismo nunca deixa rastro, mas ele deixou. A gente está falando de um caso, mas atrás dele tem muita gente. Por isso, essa situação serve de alerta, para que a gente amadureça enquanto sociedade sobre o preconceito que vivemos."

De acordo com a promotoria de Justiça de Toledo, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) teve conhecimento do caso na manhã desta quarta-feira e está adotando as providências cabíveis sobre a investigação dos fatos.
O Coletivo Nacional de Juventude Negra (Enegrecer), de Toledo, publicou em uma rede social, nesta quarta-feira, uma nota de repúdio citando o crime de racismo na publicação do pastor.

Tags: Evangelho, G1, Mundo, Pastor, Racismo