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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Marcha para Jesus vira ato contra união homoafetiva

* * * Extraído do Portal IG * * *

Temas como legalização da maconha e criminalização da homofobia também pautaram evento, que levou ao menos 1 milhão às ruas em SP

Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 23/06/2011 17:05

A 19ª edição da Marcha para Jesus, uma das maiores manifestações religiosas do planeta, se transformou em um ato de afronta ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças aos políticos por parte de lideranças evangélicas. Apesar dos esforços dos organizadores para restringir o enfoque a temas religiosos, assuntos como a união civil de pessoas do mesmo sexo, homofobia e legalização da maconha acabaram dominando os discursos de alguns líderes religiosos.

"A marcha não deixa de ser um ato político", resumiu o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligado a Igreja Universal do Reino de Deus. O discurso mais radical foi do pastor Silas Malafaia. Com palavreado vulgar, usando termos como "otário" e "lixo moral", Malafaia atacou duramente a decisão do STF de legalizar a união estável entre pessoas do mesmo sexo. "O STF rasgou a Constituição que, no artigo 226, parágrafo 3º, diz claramente que união estável é entre um homem do gênero masculino e uma mulher do gênero feminino. União homossexual uma vírgula", disse o pastor.

Na sequência, Malafaia passou a atacar a decisão do STF de liberar as marchas da maconha no Brasil.
"Amanhã se alguém quiser fazer uma marcha em favor da pedofilia, do crack ou da cocaína vai poder fazer. Nós, em nome de Deus, dizemos não."

A multidão, estimada pela Polícia Militar em 1 milhão de pessoas - e pelos organizadores em 5 milhões - foi ao delírio e respondeu com gritos de "não, não" com os braços levantados para o céu.
Malafaia ameaçou orientar seus fiéis a não votarem em parlamentares que defendem o Projeto de Lei 122/2006, que criminaliza a homofobia no País. "Ninguém aqui vai pagar de otário, de crente, não. Se for contra a família não vai ter o nosso voto", ameaçou.

O pastor defendeu a desobediência por parte de pastores caso o PL 122 seja aprovado. "Eles querem aprovar uma lei para dizer que a Bíblia é um livro homofóbico e botar uma mordaça em nossa boca. Se aprovarem o PL 122 no mesmo dia, na mesma hora, tudo quando é pastor vai pregar contra a prática homossexual. Quero ver onde vai ter cadeia para botar tanto pastor."

Lixo moral'

Malafaia classificou como "lixo moral" as pessoas que questionam a interferência das igrejas em assuntos do governo e, embora tenha dito que não tem objetivo de instaurar um estado evangélico no Brasil, "os países mais práticos e as democracias mais evoluídas do mundo tem origem no protestantismo".

Já Crivella adotou um tom mais ameno em relação aos direitos civis dos homossexuais, mas foi duro em relação ao STF que, segundo ele, está agindo politicamente e se imiscuindo em temas que dizem respeito ao Legislativo. "O Congresso tem que se levantar contra o ativismo político do STF. Só o Congresso pode detê-los", afirmou o senador.

A contrariedade maior de Crivella é em relação ao ministro Ayres Brito. "Fui o relator do processo de aprovação do Ayres Britto no Senado e na época alguns colegas me alertaram que ele tem pretensões políticas mas não dei ouvidos. Ele foi candidato a deputado pelo PT de Sergipe e não foi eleito. Agora quer se vingar do povo sergipano e levar na mão grande", acusou. Segundo ele, o Congresso trabalha em um projeto de lei que contemple tanto os direitos civis gays quanto os dos pastores evangélicos de pregarem contra a prática homossexual. "O que não pode é querer fazer na marra. Aí desencadeia reações radicais como a que vimos agora a pouco", disse ele, em referência a Malafaia.

O apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer, organizador da marcha, reafirmou o caráter estritamente religioso do evento e disse que manifestações como as de Malafaia e Crivela são opiniões pessoais. Apesar disso, admitiu ser contra o "casamento gay" e a liberação da maconha. Questionado por um repórter sobre o qual fator pesa mais na desagregação da família, o homossexualismo ou o crime de evasão de divisas, pelo qual foi condenado a pena de 140 dias de prisão nos EUA, o apóstolo mudou de assunto.

'A serviço de satanás'

Entre os milhares de pessoas que participaram da marcha, os temas polêmicos também foram os assuntos principais. A reportagem do iG abordou um grupo de oito jovens que veio de Cidade Adhemar para a marcha e perguntou quais as opiniões deles sobre direitos homossexuais, homofobia, aborto e legalização da maconha. Com visual moderno, estilo emo, todos disseram ser contra a união civil de pessoas do mesmo sexo, aborto e legalização das drogas e defenderam os pastores que consideram o homossexualismo uma prática pecaminosa.

"Quem defende o homossexualismo e a maconha está aqui a serviço de Satanás", disse o auxiliar de informática Natanael da Silva Santos, de 19 anos, que foi à marcha usando calça apertada, cinto de taxinhas e a tradicional franja emo. Enquanto a reportagem entrevistava os jovens, a aposentada Jovelina das Cruzes, de 68 anos, ouviu a conversa e fez uma intervenção. "Vocês estão falando sobre o que não conhecem. Meu sobrinho é gay e é um rapaz maravilhoso. Ótimo filho, muito educado, muito honesto e estudioso. Já o meu filho é machão e vive batendo na esposa, não respeita ninguém, não para no emprego."

Quando Jovelina virava as costas para continuar a marcha Natanael, que não se deu por vencido, fez uma observação. "Cuidado, tia. Se o pastor escuta a senhora falando uma coisa dessas ele não deixa mais a senhora entrar na igreja". E Jovelina respondeu. "Igreja é o que não falta por aí. Se me impedirem de ir em uma, vou em outra. Não tem problema."

Tags: Homofobia, IG, Marcha pra Jesus, Notícias

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Para minorias, ensino religioso obrigatório é ameaça

* * * Extraído do Portal IG * * *

Representantes de religiões diferentes da católica acreditam que medida estimula o preconceito

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro | 14/06/2011 22:00

Desde que foi encaminhado pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB) à Câmara Municipal, o projeto de lei 862/2011, que cria o cargo de professor de ensino religioso nas escolas publicas da capital, tem provocado desavenças. A audiência pública realizada nesta terça-feira (14) no plenário do Palácio Pedro Ernesto reuniu representantes das mais distintas religiões: católicos, kardecistas, evangélicos, candomblecistas, umbandistas, islâmicos, hare krishnas, ciganos, protestantes, presbiterianos e até bruxos wiccas estavam no local.

Se todos entoam em uníssono que as religiões têm por base praticar o bem e criar valores, os argumentos soam dissonantes quando a busca é pelo consenso. "Aula de ensino religioso não é catequese", disparou o padre Paulo Alves Romão, professor da PUC-RJ. "É produção de conhecimento, de princípios sólidos para a ordem social. Quando você afirma valores fundamentais, presentes em todas as religiões, você se torna capaz de dialogar com os diferentes", defendeu.

O deputado estadual e católico Márcio Pacheco (PSC) afirmou que a proposta tem como objetivo "dar às crianças pobres as mesmas oportunidades que as crianças abastadas têm". "As escolas boas não oferecem só matemática e português. Vejam quantos judeus matriculam seus filhos em escolas judaicas e quantos católicos colocam seus filhos em colégios católicos. Querem que tenham uma educação completa. Mas essa opção só é dada a quem pode pagar e o que estamos discutindo aqui é que essa opção seja dada aos que não podem", argumentou Pacheco.

Presidente da Sociedade Brasileira para o Desenvolvimento Islâmico, o sheikh Ahmad Mohammed argumentou que se por um lado o Estado é laico, por outro, não é ateu. "Num mundo onde a família foi devastada e muitas vezes as mães não têm tempo de ensinar a seus filhos sobre religião, cabe, sim, à escola oferecer essa oportunidade as crianças".

De opinião contrária, o cigano Mio Vacite rebateu: "A impressão que passa é de que se a pessoa não tiver educação religiosa ou ela é vagabunda ou bandida", argumentou. "Tenho medo da ditadura religiosa. Se estamos em um país democrático, temos de pensar muito. A moral não está só na religião".

A umbandista Fátima Damas se juntou ao coro dos contrários. "A gente sabe que nas religiões minoritárias as crianças sofrem preconceitos", afirmou. "Mas se essa lei for aprovada, que se contemple a todos. Se não puder, que deixem a educação religiosa ser dada por pais e mães", sustentou.

O bruxo Og Sperle, sacerdote da religião Wicca, contestou a tese de que religião é garantia de boa índole. "A religião não tem a premissa de moldar o caráter. Se fosse assim, não teríamos tantos casos de pedofilia em igrejas", argumentou.

"Vejo que a minoria, em sua grande maioria, é contra", disse o vereador Jorge Braz (PTdoB), bispo evangélico e contrário à proposta. "Essa lei vai passar. Não porque está prevista em nossa Constituição. Sabemos que a maioria dos nossos parlamentares é católica. Chega de hegemonia".

A diretora de diálogo inter-religioso da Federação Israelita do Rio de Janeiro, Diane Kuperman, acrescentou mais uma crítica ao debate: "Na nossa rede pública faltam professores de Matemática, Português, História etc... E nós vamos gastar o dinheiro dos nossos impostos para garantir o ensino obrigatório de uma aula cuja lei prevê frequência facultativa? Não tem coerência", disse Kuperman, que se declarou favorável à defesa feita pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa.

Tags: Educação, IG, Notícias, Religião

terça-feira, 26 de abril de 2011

Brasil é 3º país onde mais se crê em Deus, diz pesquisa


Levantamento indica que 84% dos brasileiros acreditam em "ser supremo", índice que só é menor que os de Indonésia e Turquia

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BBC Brasil | 25/04/2011 12:40

BBC

BRASIL

O Brasil foi o terceiro país em que mais se acredita em "Deus ou em um ser supremo" em uma pesquisa conduzida em 23 países.

A pesquisa, feita pelo empresa de pesquisa de mercado Ipsos para a agência de notícias Reuters, ouviu 18.829 adultos e concluiu que 51% dos entrevistados "definitivamente acreditam em uma 'entidade divina' comparados com os 18% que não acreditam e 17% que não tem certeza".

O país onde mais se acredita na existência de Deus ou de um ser supremo é a Indonésia, com 93% dos entrevistados. A Turquia vem em segundo, com 91% dos entrevistados e o Brasil é o terceiro, com 84% dos pesquisados.

Entre todos os pesquisados, 51% também acreditam em algum tipo de vida após a morte, enquanto apenas 23% acreditam que as pessoas param de existir depois da morte e 26% "simplesmente não sabem".

Entre os 51% que acreditam em algum tipo de vida após a morte, 23% acreditam na vida após a morte, mas "não especificamente em um paraíso ou inferno", 19% acreditam "que a pessoa vai para o paraíso ou inferno", outros 7% acreditam que "basicamente na reencarnação" e 2% acreditam "no paraíso, mas não no inferno". Nesse mesmo quesito, o México vem em primeiro lugar, com 40% dos entrevistados afirmando que acreditam em uma vida após a morte, mas não em paraíso ou inferno. Em segundo está a Rússia, com 34%. O Brasil fica novamente em terceiro nesta questão, com 32% dos entrevistados.

Mas o Brasil está em segundo entre os países onde as pessoas acreditam "basicamente na reencarnação", com 12% dos entrevistados. Apenas a Hungria está à frente dos brasileiros, com 13% dos entrevistados. Em terceiro, está o México, com 11%.

Entre os que acreditam que a pessoa vai para o paraíso ou para o inferno depois da morte, o Brasil está em quinto lugar, com 28%. Em primeiro, está a Indonésia, com 62%, seguida pela África do Sul, 52%, Turquia, 52% e Estados Unidos, 41%.

Criação X evolução

As discussões entre evolucionistas e criacionistas também foram abordadas pela pesquisa do instituto Ipsos. Entre os entrevistados no mundo todo, 28% se definiram como criacionistas e acreditam que os seres humanos foram criados por uma força espiritual - ou seja, não acreditam que a origem do homem seja a evolução de outras espécies como os macacos.

Nesta categoria, o Brasil está em quinto lugar, com 47% dos entrevistados, à frente dos Estados Unidos (40%). Em primeiro lugar está a Arábia Saudita, com 75%, seguida pela Turquia, com 60%, Indonésia em terceiro (57%) e África do Sul em quarto lugar, com 56%.

Por outro lado, 41% dos entrevistados no mundo todo se consideram evolucionistas, ou seja, acreditam que os seres humanos são fruto de um lento processo de evolução a partir de espécies menos evoluídas como macacos.

Entre os evolucionistas, a Suécia está em primeiro lugar, com 68% dos entrevistados. A Alemanha vem em segundo, com 65%, seguida pela China, com 64%, e a Bélgica em quarto lugar, com 61% dos pesquisados.

Descrentes e indecisos

Entre os 18.829 adultos pesquisados no mundo todo, um total de 18% afirmam que não acreditam em "Deus, deuses, ser ou seres supremos".

No topo da lista dos descrentes está a França, com 39% dos entrevistados. A Suécia vem em segundo lugar, com 37% e a Bélgica em terceiro, com 36%. No Brasil, apenas 3% dos entrevistados declararam que não acreditam em Deus, ou deuses ou seres supremos.

A pesquisa também concluiu que 17% dos entrevistados em todo o mundo "às vezes acreditam, mas às vezes não acreditam em Deus, deuses, ser ou seres supremos". Entre estes, o Japão está em primeiro lugar, com 34%, seguido pela China, com 32% e a Coréia do Sul, também com 32%. Nesta categoria, o Brasil tem 4% dos entrevistados.

Tags: Ateísmo, Curiosidades, Fé, IG